Quando construímos uma idéia mentalmente, temos que saber como concretizar na prática, isto é, interpretar para computação gráfica; na intenção de transmitir o que se deseja. Por isso, existem recursos a serem explorados.
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O negativo fotográfico é resultado de uma reação química da prata, que são grãos minúsculos que formam a imagem. No caso do impresso ao aproximar com o instrumento denominado contas linhas se pode observar as retículas, que são formados pelas cores CMYK.
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Por assim dizer, na criação com textura tudo que tem forma é possível ser manipulado, pois busca representar traços dos objetos da realidade.
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O artista Vik Muniz explorava a idéia de textura. Em uma de suas histórias contratava caminhões de lixo e usava os restos orgânicos e recicláveis como matéria prima para seus trabalhos; alinhava em formas figurativas. Dito isto, pode-se fazer esse tipo de produção com objeto, comida, pêlos de animais, tinta, cabelo, parede, chão, tecido, plástico, elementos da natureza como: folhas, tronco de árvores, raízes, flores, frutas, terra, areia, água. A fim de explorar as linhas e minunciosidades.
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É interessante que ao ter a experiência de fotografar esses detalhes traduzimos para nosso olhar sensações e atribuimos qualidades de sofisticar, presenciar, valorizar as cores, diferenciar, provocar, bagunçar e organizar as formas. Olhamos para uma textura no digital parece que podemos até pegar ou tocar.
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Representar é exatamente isso; ao tatuar dois mesmo desenhos em uma única cor de pele. As cores e o plano de fundo ganham outras dimensões. Caso a naturalidade da pele parda se mantenha em um retrato desenhado enfatizam diferentes interpretações; agora se existe o carregamento do artifício de cores, o contraste saltam para nossa visão. O que não significa pior ou melhor, mas as diferentes formas de representações com uma mesma imagem. Assim como antes de ser tatuado na pele a pintura do quadro com técnicas de tinta utilizadas provavelmente geravam outras sensações.
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A mexicana Frida Kahlo, realizava auto-retratos. Quando sofreu um acidente expressou na pintura seus sofrimentos e angústias com detalhes de pregos, cores quentes, lágrimas nos olhos, sustentada por um colete.
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Diferentes movimentos artísticos, revelam os estilos trabalhados dentro de cada época e contexto social.
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Referências da cultura ocidental e oriental mostram a questão da morte, por exemplo, com sentido negativo e positivo.
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Para nós brasileiros católicos apostólicos romanos a morte é tristeza. É assim que a gente olha e vai expressar.
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No México a morte é encarada como festa. É ponto comemorativo. Refletido nas pinturas com muitas cores variadas traduzido em alegria. Traços que não se perdem, mas se encontram e preenchem os espaços vazios nos olhos das caveiras. Possuem características da cultura mexicana com esqueletos de tranças e chapéis. Definitivamente, ver outras artes é obter brechas para novas representações, quebrando até mesmo julgamentos de conceitos.
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O artista Chris Landreth conta a vida do animador Ryan em animação. As partes desfragmentadas na figura humana do cérebro, e o uso das cores escuras são sinônimos de sofrimentos na história de dependência química.
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Na animação Guernica do Marcelo Ortiz. O bacana no vídeo é a interação com obras de outros autores, provavelmente buscou saber o contexto em que estavam inseridas, analisou, apurou, estudou os traços mantendo a originalidade. Atribui vida e movimento para as pinturas em tela. Criou um personagem do Picasso, que possui sentimentos e permea sobre outras obras. Foi um gancho para introduzir um olhar em cima de trabalhos já estabelecidas, pois já estava pronto, Ortiz apenas desencadeou o processo de interpretação.
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